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v0.1.138
Intermediário

LCI e LCA

O que é

Tem uma palavra que faz o olho de todo brasileiro brilhar: isento. Guarda essa palavra. Por baixo dela, a LCI e a LCA são uma coisa simples: um empréstimo seu para tijolo e para plantação. O banco junta o dinheiro de muita gente como você e usa para bancar a casa de uma família (a LCI, o "I" é de Imobiliário) e o trabalho de quem planta (a LCA, o "A" é de Agronegócio). Em troca de usar o que era seu, ele te paga juros. E aí vem o brilho no olho: nesses dois, a Receita não morde. O que rendeu cai inteiro no seu bolso, sem aquele pedaço que o imposto leva. Parece bom demais, e às vezes é mesmo. Mas a isenção cobra dois preços que a vitrine esconde: o seu dinheiro fica trancado por um tempo (chamam isso de carência), e o número do anúncio costuma vir mais magro que o de um primo próximo, o CDB. Quem escolhe pela palavra isento leva o embrulho bonito. Quem escolhe fazendo a conta do que sobra no fim leva o resultado.

Isento de imposto não quer dizer melhor. Quer dizer que a única conta que importa é a do que sobra no fim.

Como funciona

Funciona assim: só pode emitir uma LCI ou uma LCA o banco que empresta dinheiro pro setor de imóveis ou pro campo. Você entra com o seu, ele usa pra bancar a hipoteca de uma família, o financiamento de uma colheita, esse tipo de coisa. E te paga juros por ter usado o que era seu. Só isso.

O trunfo é a isenção: o que rende é o que você leva, sem desconto nenhum. Só que o banco sabe muito bem disso. Por isso ele costuma te pagar uma fatia menor do termômetro dos juros (o CDI) do que pagaria num CDB, que paga imposto. Quem ganha de quem, no fim, não se decide no anúncio bonito. Se decide na calculadora.

Esses títulos vêm em três sabores: um que acompanha o termômetro dos juros (o CDI), um que trava uma taxa fixa logo na largada, e um que junta a inflação com um juro por cima dela. E todos vêm com o colete salva-vidas embutido: o FGC, que te devolve até R$ 250 mil por CPF em cada banco, caso a instituição quebre.

Vantagens e desvantagens

Vantagens

  • +A Receita não morde: o imposto não leva nada do que você ganha.
  • +Vêm com colete salva-vidas: o FGC te cobre até R$ 250 mil se o banco quebrar.
  • +No fim das contas, o que sobra no bolso costuma passar o de um CDB parecido.
  • +Dá pra espalhar o dinheiro entre bancos diferentes e manter todo mundo debaixo do colete do FGC.

Desvantagens

  • −O ingresso costuma ser mais salgado que o de um CDB: muitas pedem R$ 1.000 ou mais pra entrar.
  • −Tem um tempo de dinheiro trancado, a carência, em que tirar não é nem uma opção.
  • −Mesmo passada a carência, sair no meio é difícil: o normal é segurar até o fim do prazo.
  • −Pra saber se vale mais que um CDB, você precisa fazer a conta do que sobra. O número grande da vitrine engana.

Para quem é indicado

É pra quem tem um plano com data na agenda e sabe que não vai mexer nesse dinheiro até lá. Combinam bem com objetivos de médio prazo, de 1 a 3 anos, ou com sonhos mais longos. E o teste antes de assinar é um só, cabe num guardanapo: pega o quanto sobra na LCI e põe do lado do quanto sobra num CDB ou num Tesouro de prazo parecido. Sobrou mais aqui? Pode valer a pena. Sobrou menos? Então a isenção era só o laço bonito do embrulho.

Exemplo prático

O João tem R$ 20.000 pra deixar render por 2 anos e duas propostas na mesa. Uma é um CDB pagando 110% do CDI, com imposto. A outra é uma LCI pagando 90% do CDI, sem imposto nenhum. Pra fechar a conta, imagina o termômetro dos juros (o CDI) rodando perto de 11% ao ano nesse período.

No CDB, o dinheiro engorda uns 12,1% ao ano. Em 2 anos, o saldo cheio bate uns R$ 25.131. Aí chega o imposto e leva 15% do que ele ganhou (uns R$ 770). No fim, ficam R$ 24.361 no bolso.

Na LCI, o rendimento é mais magro, 9,9% ao ano, mas ninguém tira nada no caminho: R$ 24.158 limpos no fim. Repara no que aconteceu: aqui o CDB ganhou, mesmo pagando imposto. Mas bastava a LCI subir pra 95% do CDI que o jogo virava de lado.

A palavra isento decide a manchete. A conta do que sobra decide o seu bolso.

Os riscos sem rolo

O maior perigo aqui não é o banco dar calote. É o dinheiro ficar preso. Ele entra numa carência (hoje, uns 6 meses nas que seguem o CDI; anos nas que seguem a inflação) e, mesmo passada a carência, muitas só abrem a porteira lá no vencimento. Se você comprou imaginando que isso era a sua reserva de emergência, errou o endereço: reserva tem que ficar do lado, à mão, pronta pra um susto.

O segundo perigo é a vitrine. Quem vende mostra o número que convém: um "90% do CDI isento" pode render mais que um "100% do CDI com imposto", ou pode render menos. Só a conta do que sobra conta a verdade. E não esquece do limite do colete: o FGC cobre R$ 250 mil por banco e por CPF. O que passar disso já não é protegido, é uma aposta na saúde do banco que emitiu o título.

Aviso regulatório

Este conteúdo é educacional e tem como único objetivo informar sobre o funcionamento deste tipo de investimento. A plataforma seudinheirosemrolo não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo financeiro (CVM Resolução 179/2023). Consulte sempre um profissional habilitado antes de tomar decisões de investimento.